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The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition ainda vale a jornada?

Um retorno nostálgico à Terra Média que funciona melhor com três jogadores.

Por Renato Attianezi · · 5 min de leitura

Arte do jogo The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition mostrando os personagens jogáveis: Farin, o anão campeão; Andriel, a maga elfa; e Eradan, o guardião humano. O trio está posicionado em uma montanha sob um céu dramático da Terra-média.

The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition recupera no PC um RPG de ação originalmente lançado em 2011. O resultado mistura uma Terra Média envolvente, combate divertido e um forte sabor nostálgico, mas também preserva limitações que ficam especialmente evidentes para quem pretende encarar a aventura sem companhia. O lançamento chegou para Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S e nos PCs, via GOG e Steam.

O que é o jogo e qual sua proposta

War in the North Legacy Edition é um RPG de ação ambientado no universo de O Senhor dos Anéis. Em vez de colocar Aragorn, Gandalf e outros rostos conhecidos no centro da equipe controlada pelo jogador, a aventura apresenta personagens jogáveis inéditos e carismáticos. As figuras icônicas continuam participando da jornada e ajudam a estabelecer a conexão com a saga, enquanto o trio protagonista ganha espaço próprio.

A proposta é claramente voltada para a cooperação entre três pessoas. Essa característica define não apenas a formação do grupo, mas também a maneira como a experiência se comporta durante os confrontos. Jogar acompanhado permite aproveitar melhor a dinâmica entre os personagens, enquanto a campanha solo transfere parte dessa responsabilidade para aliados controlados pela inteligência artificial.

Embora o jogo original seja de 2011, a Legacy Edition chega ao PC e outras plataformas atuais com gráficos mais polidos e bonitos. Isso não apaga a idade de suas mecânicas ou de sua estrutura, mas torna o retorno visualmente mais agradável. A cópia usada nesta análise foi comprada pela Podium Games.

Como ele funciona na prática

Na prática, a experiência gira em torno de combates de ação e do funcionamento do grupo de três heróis. O gameplay é divertido e fluido quando tudo se encaixa, principalmente por causa da ambientação e da presença constante de elementos reconhecíveis da Terra Média. Há uma sensação muito particular de jogar uma produção de outra época, algo que pode funcionar tanto como charme quanto como aviso.

No modo solo, é necessário trocar entre os personagens ao longo da aventura ou confiar parte do trabalho à IA. É justamente aí que aparece uma das limitações mais importantes da experiência: os companheiros nem sempre demonstram o cuidado necessário diante dos inimigos. Em algumas situações, avançam de maneira imprudente, ficam expostos e acabam abatidos.

Isso transforma o gerenciamento do grupo em uma preocupação recorrente. A troca de personagem ajuda a assumir o controle de quem precisa agir naquele momento, mas também pode interromper o ritmo de quem gostaria apenas de se concentrar em seu herói favorito. O jogo continua funcional sozinho, porém sua proposta faz mais sentido quando três pessoas conseguem coordenar as próprias decisões.

O que mais funcionou

A ambientação é o destaque mais imediato. A Terra Média dá identidade à aventura, e a participação de Aragorn, Gandalf e outros personagens icônicos reforça a sensação de estar explorando uma história conectada a esse universo. Ao mesmo tempo, os protagonistas inéditos evitam que a experiência dependa somente de rostos famosos.

Os personagens jogáveis também funcionam porque são carismáticos. Eles encontram espaço em meio a um cenário já conhecido e ajudam a sustentar a jornada sem parecer apenas uma repetição direta das histórias mais populares da franquia. Essa combinação entre novidade e familiaridade é uma das qualidades mais interessantes de War in the North.

O combate, apesar das ressalvas, é divertido. Há uma fluidez agradável na resposta geral do gameplay, e a experiência analisada não apresentou travamentos ou bugs. Para um título cuja base vem de 2011, encontrar uma apresentação mais polida no PC ajuda bastante a tornar o retorno convidativo.

Também existe um tipo curioso de nostalgia. Mesmo quem não jogou War in the North na época pode reconhecer nele escolhas de design e uma estrutura muito características daquele período. É como reencontrar um estilo de RPG de ação que já não aparece com a mesma frequência, com virtudes e limitações preservadas lado a lado.

O que precisa melhorar

A inteligência artificial dos aliados é o principal problema. Como a formação foi pensada para três participantes, deixar dois personagens sob controle do jogo nem sempre produz uma equipe confiável. Ver companheiros se lançando contra inimigos até serem abatidos pode gerar frustração e obrigar o jogador a compensar decisões que não foram suas.

Esse comportamento pesa ainda mais porque não se trata de um detalhe isolado: ele afeta diretamente a viabilidade e o conforto da campanha solo. Quem gosta de controlar tudo por conta própria pode aceitar a troca frequente entre personagens, mas quem espera aliados autônomos e cuidadosos encontrará uma ressalva considerável.

As hitboxes também apresentam inconsistências. Alguns inimigos e estruturas do cenário nem sempre correspondem com a precisão esperada ao espaço visual que ocupam. Em um RPG de ação, esse tipo de problema prejudica a leitura dos confrontos e pode fazer um momento de combate parecer menos justo ou menos preciso do que deveria.

Por fim, a própria estrutura envelhecida merece ser contextualizada. Ela tem personalidade e alimenta a nostalgia, mas não deve ser confundida com uma experiência inteiramente modernizada. A apresentação está mais bonita, porém certas decisões continuam carregando as particularidades de um jogo concebido em outra geração.

Performance, interface e polimento

No PC, o saldo observado foi positivo em estabilidade. O gameplay permaneceu fluido, sem travamentos ou bugs durante a experiência.

O polimento gráfico da Legacy Edition deixa o jogo mais bonito que sua versão original e ajuda sua direção de arte a continuar funcionando. Ainda assim, o tratamento visual não corrige problemas ligados à IA ou às hitboxes. São duas camadas diferentes: a apresentação recebeu um ganho perceptível, enquanto limitações importantes do funcionamento permanecem visíveis.

Para quem recomendamos

War in the North Legacy Edition é indicado principalmente para fãs de O Senhor dos Anéis que desejam visitar uma história centrada em heróis próprios, mas ainda conectada a personagens emblemáticos da saga. Também combina com grupos de três pessoas interessados em um RPG de ação cooperativo e com jogadores que sentem falta da estrutura típica dos títulos da década de 2000 e do início da década de 2010.

Já quem pretende jogar exclusivamente sozinho precisa entrar sabendo que a IA aliada pode comprometer a experiência. Da mesma forma, jogadores muito sensíveis a hitboxes inconsistentes ou que esperam mecânicas completamente modernizadas talvez sintam mais intensamente o peso da idade do projeto.

Vale a pena?

The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition é recomendado com ressalvas. A ambientação na Terra Média, os personagens carismáticos, a presença de figuras icônicas e o gameplay divertido formam uma aventura com bastante apelo para fãs. Os gráficos mais polidos no PC também ajudam a valorizar esse retorno.

A recomendação, porém, depende da tolerância do jogador à IA problemática e às hitboxes estranhas. Em cooperação com três pessoas, a proposta tem melhores condições de mostrar suas qualidades. Sozinho, a necessidade de administrar companheiros pouco confiáveis pode transformar a jornada em uma experiência mais cansativa do que deveria. Ainda assim, existe aqui um RPG de ação nostálgico e envolvente para quem aceita suas marcas do tempo.